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Um alerta no transporte público: o número de ataques a ônibus neste ano já é maior do que o registrado em todo o ano passado nas duas maiores cidades do país. O maior prejuízo é para os passageiros, que vivem com medo. Algumas linhas até mudaram o percurso para tentar fugir da violência.

 

Em São Paulo a situação é preocupante: a média é de um ataque a cada dois dias. O principal motivo é a reação a operações da polícia. Segundo um levantamento feito pelo jornal, os policiais prendem alguém no bairro e – minutos depois – um ônibus é queimado em protesto.

 

E começa a guerra das versões: a polícia diz que a ação foi legítima e os moradores falam que algum inocente foi preso ou até morto. O certo é que queimar ônibus é crime.

 

Uma moto para em frente ao ônibus. Dois homens descem e segundos depois, o fogo toma conta do veículo. Os vândalos fogem. Um deles, com uma parte da calça em chamas. É um menor, de 15 anos. Ele está internado com queimaduras graves.

 

A mãe sofre ao ver o filho todo machucado. Todo dia que eu olho para ele, para o rosto do meu filho, que eu vejo todo queimado, eu choro, lamenta.

 

Só este ano, já foram 66 ataques a ônibus na capital paulista, mais do que o número registrado em todo o ano passado. Em todos os boletins de ocorrência de 2014, relatos dos policiais mostram que quarenta e cinco casos foram motivados por vingança, por conta de ações policiais que terminaram com suspeitos presos, feridos ou mortos.

 

Amigos do menor que teve o corpo queimado durante um ataque confirmam que o adolescente estava indignado com a morte de dois moradores do bairro. Foi uma coisa espontânea, entendeu. O pessoal ficou revoltado mesmo e resolveram ir lá porque é a única coisa que chama a atenção, diz.

 

Os ataques a ônibus acontecem com mais frequência em bairros das zonas sul e leste. A violência fez com que empresas de ônibus que operam no Parque Santo Antônio, na Zona Sul de São Paulo, mudassem seus hábitos. Para se proteger, uma delas daqui, que antes estacionava em uma rua no meio do bairro, agora para em frente à delegacia.

 

É perigoso. Ficando perto da delegacia inibe os ataques, diz o motorista Sebastiao Coelho.

 

Ítalo Oliveira Souza, que mora na Zona Leste, toma ônibus todos os dias. Ele já presenciou um ataque. Dá pânico, porque todo mundo quer sair correndo de uma vez. Fica todo mundo naquele desespero, ninguém sabe pra onde vai, conta o estudante.

 

Até agora, 45 cinco suspeitos foram presos, 21 deles menores. A polícia investiga se o crime organizado também tem envolvimento nos ataques. Nós não descartamos essa possibilidade, diz Domingos Paulo Neto.

 

Dos 66 veículos queimados na capital, sete eram micro-ônibus, que pertencem a cooperativas.

 

Para o presidente do sindicato das empresas de ônibus, os vândalos evitam colocar fogo em microônibus porque conhecem os donos dos veículos. É a identificação do proprietário com os seus usuários, seus clientes de todo dia. Então, o dono daquele ônibus é o seu Zezinho, e ele é conhecido no bairro, e isso evita que as pessoas que coloquem fogo no instrumento de trabalho daquele cidadão, afirma Francisco Christovam.

 

Quem depende e trabalha nas linhas de ônibus convive com a insegurança. A gente sabe que quem guarda a gente é só Deus mesmo, diz um passageiro.

 

As pessoas ficam receosas porque, na verdade, é um risco muito grande mesmo. Eu mesmo estou indo e estou com medo, afirma uma passageira.

 

Em nota, a Polícia Militar informou que as ações que antecederam as queimas de ônibus foram legítimas e que as investidas de bandidos contra o transporte coletivo não podem servir de pretexto para frear essas operações. A nota afirma também que, quando há confrontos ou mortes nessas ocasiões, a PM reforça o policiamento preventivo para evitar os ataques contra ônibus.

 

Segundo o sindicato das empresas de ônibus, as viações têm dificuldade para repor os carros queimados.

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