Presidente do SETRANSP visita barra dos coqueiros

Viação modelo entrega mais doze novos ônibus
7 de agosto de 2009
Progresso lança livro com trabalhos infantis
17 de agosto de 2009

Na noite do dia 11 de agosto, o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju – SETRANSP –, Adierson Monteiro, foi o convidado da sessão especial da Câmara de Vereadores do Município de Barra dos Coqueiros.

Na ocasião, foram apresentados dados relativos ao sistema de transporte coletivo da capital sergipana e da Grande Aracaju, discutidas propostas de especialistas no setor de transporte em prol da qualidade do transporte público e de barateamento dos custos do setor. Também foram debatidos temas relevantes e polêmicos como licitação e a propostas de desoneração do setor de transporte urbano.

Logo no início de sua explanação, Adierson fez um comparativo entre a tarifa praticada e a ideal (definida pela planilha tarifária). Em 2009, o valor ideal era de R$ 2,17 sendo que a fixada pela Prefeitura de Aracaju foi R$ 1,95, o que representa uma defasagem de 11,28%. Ainda com relação ao valor da tarifa, o presidente detalhou a sua composição percentual a fim de desmistificar a idéia de que o empresário do setor é quem fica com boa parte do valor pago pela passagem.

“Com combustíveis, pagamos 24,49%; com óleos e lubrificantes, 2,16%; pneus, 7,03%; peças e acessórios, 5,86%. As despesas com pessoal somam 40,02%, os impostos e taxas 13,65% e as despesas administrativas são responsáveis por 1,51%. No final de tudo isso sobram apenas 2,94% para os empresários investirem na renovação da frota. Desse modo, é totalmente equivocada a ideia de que somos tubarões, ladrões ou coisas do gênero”, frisou o presidente do SETRANSP.

Na sequência, Adierson citou nomes de referência nacional no setor de transportes, a exemplo do urbanista Jaime Lerner, Marcos Bicalho, superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP -, e Luiz Filla, engenheiro civil, gestor da área de Operação do Transporte Coletivo de Curitiba e Região Metropolitana, a fim de colocar em pauta propostas reais de melhorias na qualidade do transporte público.

Dentre os aspectos mais importantes a serem considerados nesse sentido estão a reserva de espaço viário para o transporte público e o investimento em vias exclusivas. “Em um mundo urbano, o espaço disponível se torna cada vez mais caro e disputado. Se o transporte público tem que enfrentar as mesmas condições de congestionamento das vias que os automóveis e motos, o tempo de viagem não apenas aumenta para os passageiros, mas o custo operacional também aumenta”, destacou Adierson citando declaração de Jaime Lerner.

 

LICITAÇÃO

Com relação ao polêmico tema da licitação, Adierson frisou: “Os empresários não temem o processo licitatório. Muito pelo contrário. A licitação faz com que o funcionamento do sistema de transporte coletivo tenha regras claras. Com ela, as obrigações ficam bem definidas não apenas para as empresas privadas como também para o poder público”. Além disso, acrescenta ele, “a licitação é uma garantia que os empresário terão de que o que for investido terá retorno contratual. Afinal, todo contrato possui direitos e deveres de ambas as partes”, analisa Adierson.

Um exemplo recente dessa via de mão dupla promovida pela licitação ocorreu na cidade de São Paulo, onde o prefeito Gilberto Kassab proibiu as empresas de renovarem a frota. À medida que provoca certa estranheza deve-se ao fato do gestor municipal ter prometido, em campanha, manter inalterado o preço das tarifas do transporte coletivo em 2009. Desse modo, com o preço das passagens congelado, a Prefeitura não teria como aumentar o subsídio municipal repassado às empresas por conta do investimento feito com a compra de novos veículos.

Como se observa, os compromissos assumidos pelo contrato licitatório não envolvem apenas obrigações por parte das empresas, o que torna infundada a crença de que os empresários tentam embargar o processo. A verdade é que a licitação, por si só, não irá resolver os problemas do transporte coletivo da capital sergipana. “Trata-se apenas de um papel registrado em cartório que não vai interferir na fluidez do trânsito e nem reduzir a carga tributária e os custos de produção do serviço”, avalia o presidente do SETRANSP.

 

INFRA-ESTRUTURA VIÁRIA

“Para dar velocidade ao sistema é preciso haver um projeto de transporte para a cidade. A fluidez do trânsito e a estruturação da infra-estrutura viária exigem planejamento e ações públicas efetivas. A priorização do transporte público em detrimento do individual também se faz necessário no Plano Diretor de Aracaju”, explica Adierson Monteiro frisando a necessidade de um maior respeito aos empresários que dedicam suas vidas para assegurar o direito de ir e vir da cidade.

“É muito fácil jogar toda a responsabilidade nas costas dos empresários. Outro detalhe que muita gente desconhece é que frota nova não traz rapidez ao deslocamento dos ônibus. As vias urbanas precisam oferecer fluidez ao trânsito com, por exemplo, corredores exclusivos para ônibus e semáforos sincronizados”, desabafa ele.

Diante do exposto, o vereador Cláudio Caducha afirmou ter ficado claro que os problemas do transporte público têm dimensões macro e solicitou uma nova reunião, dessa vez em conjunto com os vereadores do município de Aracaju. “Os assuntos debatidos aqui devem ser discutidos com toda a sociedade. Não se pode ter qualidade no transporte público com o trânsito caótico que temos. Precisamos dar prioridade ao setor e fazer investimentos que tragam resultados”, comentou o vereador.

Os comentários estão encerrados.

ATENÇÃO!!!

Clique aqui para acessar o site da Aracajucard