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Transformar algumas avenidas do Recife em vias prioritárias ao  transporte público não é tão complicado e caro como se pensa. Construir corredores exclusivos de ônibus custa, por exemplo, cerca de 10% do valor de uma linha de metrô com a mesma extensão.

 

Na simulação de um corredor metropolitano de transporte público de 45 quilômetros, feita pelo JC com a ajuda de técnicos do setor, a construção representaria um investimento de R$ 225 milhões.


A projeção tem como base os cálculos da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Por eles, o quilômetro de um corredor de ônibus com pontos de ultrapassagem e estações elevadas, que permitam o embarque em nível, custaria, em média, R$ 5 milhões. Para viabilizar a mesma extensão de uma linha de metrô o custo seria de R$ 80 milhões.


O valor pode parecer alto, mas beneficiaria os 2 milhões de passageiros que todos os dias andam de ônibus no Grande Recife. Isso porque envolve as avenidas mais importantes do sistema viário das cidades, principalmente da capital. Técnicos ouvidos na reportagem defendem que, comparando o custo e o benefício proporcionado, é vantagem priorizar os ônibus.


O custo de construção dos 45 km do corredor metropolitano ideal equivaleria, por exemplo, a 50% de alguns projetos voltados para o automóvel, executados no Estado. É o caso da duplicação da BR-232, entre Recife e Caruaru, no Agreste, onde foram investidos R$ 450 milhões.

 

E representaria apenas 10% a mais do valor previsto para a implantação da Via Mangue, novo corredor da Zona Sul, estimado em R$ 200 milhões. Com a diferença de que, por ele, passariam praticamente todas as linhas de ônibus em operação e, de cara, os coletivos ganhariam dez minutos na viagem.

 


?Quando o transporte público não tem prioridade nas ruas, surgem as conseqüências, como o atraso e o desconforto nas viagens e o aumento dos custos do sistema. As cidades estão sendo engolidas pelos carros e a situação ficará cada vez mais crítica se não investirmos num transporte de qualidade, capaz de atrair a classe média?, alerta o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Setrans), Fernando Bandeira.


A carência de investimentos fez com que o setor empresarial contratasse o urbanista Jaime Lerner, responsável por transformar Curitiba (PR) em cidade-modelo do transporte público no País, para projetar o Corredor Norte-Sul, faixa exclusiva de ônibus com 45 km, ligando Igarassu a Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. O projeto será apresentado ao governador Eduardo Campos nos próximos dias, tem custo de R$ 130 milhões e capacidade de circulação de 370 mil passageiros por dia.

 

 

Fonte: JC Online, 08/12/2008

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