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POPULAÇÃO MAIS POBRE PAGA

O setor de transporte urbano de passageiros tem sofrido com o excesso de gratuidades nos sistemas de transporte coletivo em muitas cidades brasileiras. Segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), 34% das pessoas que andam de ônibus no Brasil têm algum tipo de benefício tarifário. A NTU, no entanto, não é contra a concessão de benefícios tarifários para determinadas classes sociais. A entidade defende que a sociedade como um todo deve arcar com esses custos. No Rio de Janeiro, o percentual de gratuidades chega a 40% dos 11,5 milhões de passageiros/dia dos ônibus municipais e intermunicipais, de acordo com dados da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). Para o engenheiro de transporte e assessor técnico da BHTrans, de Belo Horizonte, Marcos Fontoura, há desinteresse das autoridades em discutir o assunto. A política de acessibilidade social tem atendido a interesses diversos, critica Fontoura. Segundo o superintendente da Fetranspor, Luiz Carlos de Urquiza Nóbrega, a gratuidade deve ser rediscutida, de acordo com princípios de justiça social, pois onera, em primeiro lugar, o público pagante, obrigado a participar do rateio dos custos do transporte. A continuar assim, será que os mais pobres não acabarão subsidiando a população de maior renda, em uma completa inversão de valores? questiona. As transportadoras também são sacrificadas, explica Urquiza, pois as planilhas técnicas elaboradas pelo próprio poder concedente não são inteiramente respeitadas na hora de definir o preço das passagens. Segundo ele, cabe à sociedade, através dos recursos orçamentários do Estado, assumir estas gratuidades. Isso implicará redução nas tarifas dos diversos modais de transporte, beneficiando milhões de usuários. A pesquisa do Instituto Gerp mostrou também que a população não sabe quem realmente paga pelas gratuidades: 48% das pessoas dizem que é o governo. Apenas 13% responderam que são os outros passageiros e 8%, que são as empresas de ônibus. Em outra pesquisa, realizada em setembro do ano passado, o Ibope apurou quem deveria pagar pela passagem dos que viajam de graça: 86% das pessoas indicaram o governo.

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