Transporte eficiente e turismo como legado da Copa

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Aproveitar a oportunidade de um megaevento esportivo para gerar legado é um consenso. Por isso, durante o painel Estudo de casos internacionais, a necessidade de cada cidade identificar seus problemas para buscar soluções próprias foi enfatizada pelos participantes: a antropóloga Susan Browncll, especialista sobre esportes na China, Josep Pinos, professor de Urbanismo da Universidade da Catalunha, Andrew Boraine, diretor-executivo da Parceria da Cidade do Cabo, c Jeb Brugman, consultor do Iclei (Governos Locais pela Sustentabilidade).

Susan Browncll, única integrante ocidental da comunidade acadêmica colaboradora do Comitê * Organizador de Pequim 2008. relata que a melhoria da mobilidade é o legado mais bem percebido pela população da capital chinesa. – O novo aeroporto é excelente, são oito novas linhas de metro, foi desenvolvido um trem de alta velocidade, novas rodovias foram construídas, tudo isso fez o dia a dia do cidadão melhorar-explicou Susan.

A antropóloga, no entanto, destaca que também foi feito um investimento gigantesco na melhoria ambiental:
– Foram usadas tecnologias inovadoras nas vilas de atletas c em instalações esportivas. A utilização de iluminação à base de energia solar e a captura de água para reutilização são procedimentos a serem adotados de forma permanente.

No caso de Barcelona, o grande legado deixado pelos Jogos Olímpicos de 1992, de acordo com o espanhol Josep Pinos, foi a recuperação econômica da cidade.
– Em 1986. o PI B per capita de Barcelona correspondia a 63% da media da Europa. Hm 19%. quatro anos após os Jogos, este percentual era de 99,4% – informou.

Pinos conta que a cidade revitalizou locais como o porto cujas áreas degradadas deram lugar a novos hotéis e marinas.
– A melhoria da infraestrutura não só tornou a cidade mais confortável para os turistas, como permitiu que novos eventos fossem atraídos, criando um movimento constante e positivo – explicou o professor.

Já o legado de uma Copa do Mundo tem características diferentes, na opinião do diretor-executivo da Parceria da Cidade do Cabo. Andrew Boraine.
– No Mundial da África do Sul, eram nove cidades. Por isso, é preciso identificar suas necessidades especificas-comentou Boraine, lembrando que foi preciso vencer a cultura do imediatismo para chegar a conquistas perenes.

Boraine explica que na Cidade do Cabo havia enorme preconceito contra o transporte público.
– Era considerado coisa de pobre, a classe média usava carro. Mas como na Copa você só chegava ao estádio de transporte público, e isso era encarado com naturalidade pelos estrangeiros, uma nova mentalidade se criou – disse o executivo, acrescentando que a melhoria da mobilidade está sendo estendida para o restante da cidade.

Se o legado em si tem enorme importância, também é relevante pensar em sua comunicação, na opinião de Jeb Brugman, consultor estratégico da Iei (Governos Locais pela Sustentabilidade), entidade que congrega 1.200 membros, incluindo o Rio de Janeiro. Para ele, a boa comunicação gera confiabilidade.
– Barcelona fez um excelente evento c soube comunicar isso, e hoje em dia há confiança na cidade.

Fonte: O Globo | Especial Cidades Verdes 

 

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