Faixas exclusivas: Quem usa ônibus sabe a utilidade

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Conquista de 270 mil usuários de ônibus não pode estar em risco

Em tempos em que a democracia está na boca do povo para pontuar opiniões políticas, presenciamos em Aracaju a desconsideração ao direito da maioria expressiva da população que se transporta diariamente para suas atividades de ônibus, e não de carro. Apenas nas duas maiores avenidas da cidade foram implantadas faixas exclusivas para ônibus, para favorecer a mobilidade urbana, mas esta conquista está em risco diante dos reclames dos que não estão sopesando a coletividade. O transporte coletivo por ônibus, que na capital e região metropolitana é responsável pelo acesso de mais de 270 mil pessoas por dia aos serviços essenciais, ao longo dos anos vinha clamando por prioridade – a palavra é esta mesmo: clamando. Estava inaceitável aos ônibus a condição de reféns da disputa por espaços nas vias com veículos particulares, principalmente ante os congestionamentos diários. Ou seja, um veículo que sozinho transporta dez vezes mais o volume de pessoas que dez carros transportariam estava sujeito a opção daqueles que, no conforto do seu ar condicionado em quatro rodas, achavam justo estar à frente dos ônibus, com cerca de 50 pessoas ansiosas para chegarem ao seu destino com menos atraso que o normal.    

A faixa exclusiva é uma ação simples que está obtendo resultados positivos no trânsito de todas as demais capitais e na maioria das cidades do país. A medida não gera impacto aos cofres públicos, tendo em vista que o gasto está limitado a pintura da via e sinalização. E, sobretudo, serve diretamente a população de baixa renda e àqueles que, mesmo sendo de classe média, apostam no bom senso da economia com o transporte coletivo.  Hoje, de acordo com as empresas de transporte público, com as faixas exclusivas para ônibus o passageiro obteve uma queda de 20 minutos na duração de sua viagem. 

Para os mais de 70% dos trabalhadores e estudantes aracajuanos que usam ônibus todos os dias, isso representa menos tempo descartado no estresse do trânsito e mais tempo e disposição para produções positivas. Já aos cerca de 80% dos pacientes e visitantes do Hospital de Urgências de Sergipe (HUSE), que se deslocam para o local de transporte coletivo, a redução do tempo de viagem com as faixas significa mais tempo para cuidar da saúde. E para os motoristas e cobradores de ônibus, a ação tem se traduzido em menos riscos de acidentes de trânsito envolvendo ônibus e outros veículos e mais tranquilidade para cumprir os horários de paradas nos pontos. Até ao meio ambiente as faixas são benéficas, isso porque a pontualidade na chegada ao destino final, decorrente da maior velocidade para o tráfego do ônibus e redução do tempo de viagem, rende por tabela a redução da emissão de poluentes pelo veículo, que, por sua vez, já usa uma tecnologia redutora desses gases.

 

De dentro do ônibus 

Poucos minutos ouvindo as pessoas de dentro ônibus e a resposta é unânime: quem usa ônibus sabe a utilidade dessas faixas exclusivas. Para o senhor José Armando, a faixa “é um benefício claro para a população, que tem que ser respeitada por quem usa carro”. Em concordância, o trabalhador Marcos Luiz diz: “é uma melhoria sem dúvida. Eu chego mais cedo ao meu trabalho e o carro pequeno tem que respeitar isso. Eu levava quase 40 minutos para chegar ao (Conjunto) João Alves. Agora chego em 20 a 25 minutos dependendo do trânsito. O que falta é só cada um respeitar e fazer sua parte”, frisou ele. Já o carteiro Helder de Araújo vai além: “eu utilizo ônibus o dia todo, são muitos bairros percorridos e preciso manter a pontualidade. O trânsito sempre foi um empecilho para mim, mas com as faixas exclusivas isso mudou. Esse foi um passo certo para o transporte”. Em suma, os passageiros do transporte também estão pedindo democracia, para que se faça valer o que é necessário para a maioria. 

 

Estudo de prioridade nas vias 

Segundo estudo realizado pela Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU) em três capitais, a implantação de faixas exclusivas para ônibus foi testificada como alternativa barata e eficiente. Em Goiânia, em uma faixa de 2,5 km, os ônibus circulam em velocidade 30% maior; no Rio de Janeiro, são mais de 34 km de faixa exclusiva, e a redução no tempo de viagem pode chegar a 50%, segundo a pesquisa. Em São Paulo, só em um dos trechos de vias exclusivas, da Marginal Pinheiros, a velocidade dos ônibus saiu de 14km para 25 km. De acordo com a pesquisa, a priorização do transporte coletivo por ônibus é a mais importante ação para superar as dificuldades da mobilidade urbana e seguir o que instituiu a Lei da Política Nacional de Mobilidade Urbana n° 12587/2012. Ainda conforme a NTU, cálculos apontam que 15 mil pessoas podem ser transportadas por hora em cada faixa exclusiva de ônibus, enquanto apenas 1 mil transitariam por hora nos automóveis em cada uma das demais faixas. Ou seja, o transporte coletivo carrega 150% mais pessoas.

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