Mobilidade será desafio para os próximos governos

Na eterna disputa com o transporte individual, o coletivo urbano continua na lanterna
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Passadas as eleições, a mobilidade urbana será um dos grandes desafios para os próximos governantes em nível estadual ou federal. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que, nos últimos 12 anos, os custos do transporte público cresceram muito acima dos gastos relacionados ao uso de carros e motos e também mais do que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

 

Entre outras consequências desses incentivos ao transporte individual, segundo os pesquisadores Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho e Rogério Boueri Miranda, autores do trabalho Tendências e Desafios da Mobilidade Urbana no Brasil, está o aumento dos engarrafamentos, que elevou o tempo gasto no deslocamento de casa para o trabalho nas principais regiões metropolitanas brasileiras. Entre janeiro de 2002 e março de 2014, período mostrado no trabalho, as tarifas de ônibus subiram, em média, 141%. No mesmo período, o IPCA foi de 115,1%.

 

A elevação de preços de carros e motos foram, respectivamente, de 10,2% e 12,3%. O custo de peças e acessórios aumentou 96,5%; e o da gasolina, 70,5%. O relatório do trabalho lembra que, somente após as manifestações de junho do ano passado, houve queda nas tarifas do transporte público. Entretanto, em cidades como o Rio, a queda já foi anulada pelo reajuste de fevereiro deste ano. Os autores destacam que o preço da gasolina é o principal balizador de custo no processo de escolha do meio de transporte pelas pessoas.

 

O relatório dos pesquisadores acrescenta que as políticas para o transporte público foram no caminho contrário ao princípio da modicidade de preços e que os fatores de oneração das tarifas continuam atuantes. São eles: o aumento das gratuidades financiadas pelos usuários pagantes, elevação dos custos de operação em função do aumento dos congestionamentos e elevação do preço dos principais insumos, como pneus e diesel. Segundo o estudo, nas regiões metropolitanas de Rio e São Paulo, de 2002 a 2012, o tempo de deslocamento entre a casa e o trabalho subiram 7,8% e 19,6%, respectivamente.

 

Pesquisadores recomendam volta da Cide e faixas de ônibus

O relatório do Ipea destaca que são muitos os desafios para priorizar o transporte público. No âmbito federal, os pesquisadores avaliam que é necessário programar políticas perenes de financiamento e investimento direto com recursos do Orçamento Geral da União em grandes obras de mobilidade urbana com foco nos transportes coletivo ou não-motorizado. Para arrecadar recursos para isso, o estudo recomenda a volta da cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) na venda dos combustíveis.

 

No âmbito local e regional, eles sugerem ações para tornar o sistema de mobilidade mais eficiente, como a destinação de mais espaço nas ruas para o transporte coletivo, como as faixas de ônibus, e também para a circulação de pedestres. O espaço público deveria ser dimensionado pelo volume de pessoas transitando e não o volume de veículos como ocorre hoje em dia, afirma o relatório. Também são sugeridas medidas de restrição ao uso dos veículos privados nas áreas mais saturadas, como o pedágio urbano e taxação de estacionamentos.

 

Fonte: Brasil Economonico – 07/10/2014

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