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Em 2050, o planeta terá mais de 9 bilhões de habitantes. A taxa urbanização será de 70% e haverá nas ruas cerca de 1,6 bilhão de veículos. A previsão não é de fim do mundo, mas é de esgotamento das condições de transporte se novas políticas para resolver os problemas de mobilidade não forem adotadas hoje, 40 anos antes.

Para discutir o assunto, especialistas se reuniram no Rio de Janeiro, de 30 de maio a 3 de junho, para a 10ª Michelin Challenge Bibendum, que teve como tema central os debates sobre o desenvolvimento de ações que possibilitem a sustentabilidade.

Maior incentivo ao transporte público, como forma de minimizar os problemas de trânsito, poluição, e melhorar a qualidade de vida nas cidades, continua sendo uma saída eficiente.

No Brasil, um terço da população se desloca por meios não motorizados, a pé ou de bicicleta, outro terço vai de transporte público e o terço restante utiliza veículos particulares.

A conta parece equilibrada, mas não está. Há mais espaço para os carros do que serviços em benefícios dos que vão a pé, de bicicleta, de coletivos, de trens e de metrôs.

Modelo – Idealizador do conceito dos corredores de ônibus, o arquiteto e urbanista Jaime Lerner acredita que o País reúne condições para construir mais pistas exclusivas e interligar as redes de transporte, mas o poder público anda devagar.

Para Lerner, que foi por duas vezes governador do Paraná e três vezes prefeito de Curitiba, falta poder decisão. Em geral, os gestores delegam à burocracia, fugindo da visão global.

Em média, por um corredor de ônibus, aproximadamente 15 mil pessoas são transportadas por hora. Se for utilizada somente por carros, em intervalo igual, a mesma pista movimenta apenas 1.500 pessoas.

O Grande ABC tem exemplos, como o corredor da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo), que passa por quatro cidades, mas a oferta de linhas em que os ônibus não disputam lugar no trânsito com outros veículos ainda é pequena.

As dificuldades de liberar uma faixa somente para os coletivos, sobretudos nas vias que possuem mais de três pistas, é o desafio na opinião do ministro das Cidades, Márcio Fortes.

É preciso encontrar espaço na rua para fazer o ônibus andar no corredor. A obra é barata e simples, mas não cabe em todos os lugares, afirmou o ministro, que também participou dos debates.

Solucionar uma questão como essa pode ser uma das saídas para os problemas de mobilidade das sete cidades. A frota de veículos no Grande ABC, região com cerca de 2,6 milhões de habitantes, está estimada em mais de 1,3 milhão de unidades.

O tema merece tanta atenção que a ONU (Organização das Nações Unidas) determinou, em março, que o período de 2011 a 2020 será a década de ações em prol da segurança rodoviária.

A intenção não é só reduzir o número de mortes nas estradas, mas, também, incentivar políticas que diminuam os demais problemas ligados aos transportes.

Fonte: Diário do Grande ABC

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