COPA 2014 é oportunidade para discutir transporte

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No dia 15 de julho, foi aberto oficialmente o 22º Seminário Nacional 2009, organizado pela NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, que, este ano, ocorreu em São Paulo. Com o tema central “Transporte Público na Copa do Mundo”, o evento reuniu empresários e especialistas em transportes para debater as diversas propostas de infraestrutura para o mundial de 2014, no Brasil. O sistema BRT (Bus Rapid Transit) foi considerado uma das melhores alternativas para a mobilidade urbana durante a Copa.

Segundo Otávio Cunha, presidente da NTU, o país vive uma crise de mobilidade sem precedentes e o evento esportivo será uma boa oportunidade para o governo federal definir políticas claras para o transporte que, desde a extinção da Empresa Brasileira de Transportes Urbanos (EMTU), no início dos anos 90, não recebe investimentos públicos. “Os empresários do setor têm realizado constantes aportes financeiros, tanto na qualidade do serviço prestado quanto no aperfeiçoamento tecnológico dos veículos”, disse, durante o discurso de abertura.

No primeiro painel de debates do dia, Jaime Lerner, arquiteto e urbanista, e Wagner Colombini, engenheiro e presidente da Logit, consultoria em supply chain e transportes, defenderam o sistema BRT (Bus Rapid Transit) como uma das mais eficientes alternativas para a mobilidade urbana durante os jogos mundiais, em 2014.

A opinião de Lerner tem lastro. Ele foi o idealizador do sistema BRT, implantado em Curitiba (PR) nos anos 70, e exportado para outros países como Colômbia, México, Chile, Reino Unido, China, Estados Unidos, entre outros. “Transporte público sempre é tema de discussão política, mas nunca com propostas claras, de longo prazo ou que saem do papel.

Precisamos aproveitar a Copa de 2014 para investir no setor. Pelo tempo que temos, e sobretudo pelo custo de implantação, o BRT é uma das melhores alternativas”, justifica Lerner, que também apresentou um estudo comparativo inédito sobre os vários modais de transporte público urbano: metrô, VLT (veículo leve sobre trilhos), BRT e ônibus convencional.

Os números da pesquisa revelam que o sistema BRT apresenta uma série vantagens em relação aos demais sistemas. O prazo de implantação do BRT é de 2,5 anos, enquanto o VLT requer 5 anos e o metrô demanda 9 anos. Referente ao custo, considerando um corredor de 10 km para até 150 mil passageiros por dia, o investimento em BRT é de R$ 111 milhões, em VLT, R$ 404 milhões, e no sistema metroviário, R$ 2,01 bilhões. “O BRT pode representar uma verdadeira ‘metronização’ do ônibus”, afirma o autor da pesquisa.

Em outro momento dos debates, Colombini comentou a sua mais recente experiência profissional: a mobilidade urbana na África do Sul, sede da Copa de 2010. Segundo ele, das nove cidades-sedes dos jogos, sete vão adotar o sistema BRT naquele país. “Em Johanesburgo, serão aproximadamente 320 quilômetros de BRT, sendo que 82 quilômetros são para atender à demanda dos jogos”, diz, lembrando que, apesar de as condições de infraestrutura do transporte no Brasil serem muito melhores, os projetos precisam ser definidos imediatamente.

Os participantes finalizaram o painel reforçando que o sistema BRT é um projeto para longo prazo, que vai muito além do transporte de passageiros. “Trata-se da reurbanização das cidades, um legado para a sociedade e não uma medida para atender à demanda da Copa”, concordaram.

Os debates da manhã, em defesa do sistema BRT, foram ratificados no período da tarde, com a apresentação de projetos que estão sendo avaliados em Recife (PE) e Belo Horizonte (MG), capitais que sediarão jogos da Copa do Mundo de 2014.

Fonte: NTU

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