Transporte público paga pela crise econômica

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A mídia paulista publicou, há dias, manifestação das empresas de ônibus da cidade de São Paulo sobre o risco de queda da qualidade do serviço naquela cidade tendo em vista o descumprimento, por parte da prefeitura, das regras contratuais que estabelecem um bônus proporcional à idade da frota em circulação.

 

Alegando queda da receita municipal em conseqüência da crise econômica, o prefeito de São Paulo suspendeu em até 90% o repasse dos referidos ônus e congelou os subsídios ao transporte público, prometendo reiniciar os pagamentos em 2010.

 

A conseqüência imediata foi o desequilíbrio econômico das empresas, que investiram na renovação da frota e agora estão em dificuldades para quitar os compromissos assumidos. A renovação anual da frota que nos últimos anos foi em média de 1.700 veículos não deverá passar de 175 veículos em 2009.

 

Para enfrentar a mesma crise, o governo federal subsidia com bilhões de reais, fruto de renúncia fiscal, a indústria e os compradores de automóveis e motocicletas, na tentativa de reduzir a recessão.

 

As duas medidas, em princípio independentes e adotadas por esferas diferentes de governo, na verdade, se somam num efeito perverso contra o transporte público coletivo e, numa escala maior, contra a própria qualidade de vida nas cidades brasileiras.

 

A queda da qualidade dos serviços de transportes coletivos urbanos incentiva seus usuários a buscarem outras alternativas de viagem, encontradas facilmente nas ofertas das concessionárias de automóveis e motos.

 

O crescimento do transporte individual vai congestionar ainda mais o sistema viário das cidades, que não crescem e não melhoram por falta de investimentos públicos, degradando progressivamente o nível dos serviços de ônibus que disputam o espaço urbano com automóveis e motos.

 

Esse círculo vicioso tem uma conseqüência clara: o caos urbano nas grandes cidades brasileiras. É esperar para ver.

 

Fonte: NTU Urgente – edição 139.

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