Clandestinos aumentam estatísticas de acidentes

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O transporte clandestino em Minas Gerais mata pelo menos cinco vezes mais passageiros do que o legalizado. Estatística da Divisão de Operações do Departamento de Estradas de Rodagem (DER/MG) revela que, entre 2000 e 2007, 369 pessoas perderam a vida em acidentes envolvendo os chamados perueiros. Nos ônibus regulares, o saldo foi de 67 mortos.

 

A disparidade também é alarmante em relação aos feridos: 1.373 passageiros no sistema irregular e 289 no autorizado. Os dados se referem às tragédias ocorridas na malha estadual e na federal sob a jurisdição do órgão e põem as autoridades de trânsito em alerta. A frota irregular voltou a crescer nas cidades da região metropolitana e ameaça trazer de volta o pesadelo da guerra no trânsito.


Outro balanço do DER mostra que o número de infrações cresceu 130% em apenas quatro anos: passou de 2.039 em 2003, para 4.691 em 2007. E a estatística voltará a crescer em 2008, pois, até agosto, foram 3.395 registros. ?Já flagramos motorista sem habilitação e até alcoolizado. Tivemos caso de o sujeito fugir de uma blitz e capotar a van?, adverte o chefe da Divisão de Fiscalização Operacional do DER, Lindberg Ribeiro Garcia.


As autuações nas ruas e avenidas da capital, segundo dados da BHTrans, também não param de crescer: de 876 registros, em 2004, para 1.455 em 2007. O aumento, de 66%, sobe para 95% quando a comparação é feita entre as ocorrências dos sete primeiros meses de 2008 e o mesmo intervalo do ano passado. Passaram de 862 para 1.684.

 

A BHTrans não tem levantamento de mortos e feridos envolvendo o transporte clandestino na cidade, onde o combate aos infratores, como nas rodovias estaduais e federais, é comparado à árdua tarefa de enxugar gelo. Mas muitas vidas já foram ceifadas pela imprudência dos clandestinos, como a da camareira Zildete Alves Aguiar, de 33 anos, morta no último domingo de julho.


Ela estava numa van de Ribeirão das Neves e deixou duas filhas pequenas. O motorista avançou o sinal vermelho da Avenida do Contorno no cruzamento com a Rua Uberaba, no Barro Preto, na Região Centro-Sul da capital, e bateu num ônibus da linha 2580 (Eldorado/Contagem). A perua, que tinha 27 autuações e 52 multas, por pouco não causa uma tragédia, pois a frente ficou dependurada na mureta do Ribeirão Arrudas.

 

O veículo responsável pela morte da camareira percorre a BR-040, uma das rotas preferidas dos clandestinos. Muitos infratores gostam de parar debaixo da passarela em frente à Ceasa, em Contagem, onde se concentra uma multidão de passageiros que moram em Neves, Sete Lagoas e cidades vizinhas.


?O grande atrativo dos clandestinos é o preço. Começa pela evasão fiscal, pois não pagam impostos e seguro aos passageiros. Só fazem a manutenção quando precisam. Já no regular, gasta-se, em média, 4,5 funcionários para cada veículo?, explica Lindberg.


O passageiro José Maria Lúcio, de 56, morador do Bairro Novo Progresso, em Contagem, concorda com o diretor do DER. ?Os irregulares não nos dão segurança alguma. Meu colega faleceu, há dois meses, depois que uma van capotou na Avenida Delta, no Bairro João Pinheiro, na entrada de BH?, recorda-se.

 

Para evitar acidentes como o relatado por José Maria, equipes da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal estacionam as viaturas no ponto da Ceasa para evitar a ação dos perueiros. ?O problema é que não podemos ficar aqui 24 horas?, diz um militar que prefere o anonimato.


A ousadia dos perueiros, no entanto, é muito grande. Dezenas deles estacionam os veículos do outro lado da BR-040 e ficam aguardando a saída dos policiais. ?Daqui a uma hora eles vão embora?, diz E.S., perueiro há 10 anos.

 

Seu veículo, como o de vários outros, é equipado com rádio comunicador, o que permite a um clandestino avisar os demais sobre a presença de blitzes. ?Meu carro tem capacidade para 15 passageiros, mas, no horário de pico, carrego mais nove em pé?, admite o rapaz, enquanto aguarda os policiais saírem do ponto em frente à Ceasa.

 

Fonte: Estado de Minas, 15/09/2008

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