
Transporte coletivo terá gratuidade durante as Eleições 2026 em Aracaju e região metropolitana
2 de outubro de 2026O transporte coletivo tem como característica a universalidade do atendimento. Diferentemente do automóvel particular, o ônibus precisa cumprir uma programação previamente estabelecida, atendendo bairros, comunidades e diferentes regiões da cidade em horários e itinerários definidos. Isso significa que o coletivo precisa circular pela rota prevista pela manhã, à tarde, à noite e, em determinados casos, também durante a madrugada, independentemente de o trecho apresentar maior ou menor fluxo de veículos.
Essa característica também limita a possibilidade de o ônibus simplesmente buscar uma via alternativa quando o trânsito fica congestionado. Enquanto o motorista de um carro particular pode escolher o horário de saída, antecipar ou atrasar sua viagem e utilizar ruas paralelas para tentar escapar dos pontos de retenção, o transporte coletivo precisa manter sua operação para garantir o atendimento aos passageiros. Por isso, a prioridade de circulação nas vias é diretamente relacionada ao tempo de viagem e à regularidade do serviço.
A utilização de faixas exclusivas e corredores pode representar uma redução média de 15 a 20 minutos no tempo de viagem, dependendo do trecho e das condições de circulação. Na prática, um deslocamento que poderia levar mais de 40 minutos pode ser realizado em cerca de 20 minutos quando o ônibus consegue trafegar por uma faixa com menor interferência do trânsito.
Os corredores de mobilidade e faixas exclusivas de Aracaju somam cerca de 35,8 quilômetros de extensão. A estrutura foi implantada para separar, em determinados períodos, a circulação dos ônibus do fluxo geral de veículos e, com isso, diminuir as interferências provocadas pelo congestionamento.
Para o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp), a prioridade ao transporte coletivo está diretamente relacionada à qualidade do deslocamento. Quando o ônibus fica menos sujeito às retenções do trânsito, há maior previsibilidade sobre o tempo necessário para completar uma viagem.
Para a presidente do Setransp, Raíssa Cruz, a discussão sobre a prioridade precisa considerar principalmente o impacto sobre o tempo de deslocamento. “O ônibus tem uma característica de universalidade e precisa estar disponível para todos. Ele não pode escolher quais regiões vai atender ou quais horários são mais convenientes para circular. Existe uma programação para que o serviço chegue aos bairros e comunidades durante diferentes períodos do dia. Por isso, quando o trânsito interfere diretamente na circulação do coletivo, quem sente esse impacto é o passageiro, que pode permanecer mais tempo dentro do ônibus. A prioridade ajuda justamente a reduzir essa interferência e dar mais previsibilidade ao deslocamento.”
A diferença em relação ao transporte individual está justamente na possibilidade de escolha. O motorista de um automóvel particular pode mudar o horário de saída, escolher outra rota ou utilizar uma via paralela para evitar determinado ponto de congestionamento. O ônibus, por outro lado, precisa seguir o itinerário definido para garantir que o passageiro seja atendido no local e no horário previstos.
Prioridade para reduzir interferências no trânsito
A lógica das faixas exclusivas é retirar os ônibus, nos horários determinados pela sinalização, de parte das interferências provocadas pelo tráfego geral. Com menos retenções, o deslocamento pode se tornar mais regular, reduzindo variações no tempo de viagem.
A diferença pode ser percebida principalmente nos horários de maior movimento, quando o aumento do fluxo de veículos interfere diretamente na velocidade dos coletivos. Nesses períodos, a existência de uma faixa destinada prioritariamente ao transporte coletivo permite que o ônibus mantenha uma circulação menos dependente das condições do tráfego geral.
A prioridade também está relacionada à capacidade do transporte coletivo de atender diferentes áreas da cidade. O ônibus não circula apenas onde há maior concentração de veículos ou maior movimentação comercial. A operação precisa considerar a necessidade de deslocamento dos moradores de diferentes bairros e comunidades, inclusive em regiões com menor fluxo de trânsito.
Por isso, a alternativa de utilizar uma via paralela para fugir de um congestionamento não funciona da mesma maneira para o transporte coletivo. Alterar o itinerário pode significar deixar de atender passageiros que dependem daquela linha.
Além dos efeitos sobre o tempo de viagem, a redução da dependência do transporte individual pode contribuir para diminuir a quantidade de veículos nas ruas e, consequentemente, as emissões associadas aos deslocamentos por automóveis.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o transporte motorizado individual está entre os principais responsáveis pelas emissões de poluentes nas cidades. Em estudo publicado em 2023, o instituto destacou que, considerando as emissões por passageiro, um usuário de automóvel emite cerca de sete vezes mais CO₂ equivalente do que um usuário de ônibus.
Como funcionam as faixas exclusivas
Em Aracaju, a circulação pelas faixas exclusivas dos corredores ocorre de acordo com a sinalização de cada trecho. Atualmente, a regra geral adotada nos principais corredores estabelece restrição de segunda a sexta-feira, das 6h às 9h e das 16h às 19h.
Nesses períodos, a circulação é destinada ao transporte coletivo e a veículos autorizados, como táxis em serviço, transporte escolar credenciado e veículos de emergência e segurança.
Fora dos horários de exclusividade, aos fins de semana e nos feriados, a circulação dos demais veículos é permitida conforme a regulamentação e a sinalização de cada corredor.
A fiscalização também conta com equipamentos eletrônicos capazes de identificar as placas dos veículos que circulam irregularmente pelas faixas. As imagens são submetidas à análise antes de eventual autuação.
O desrespeito à faixa exclusiva configura infração gravíssima, com sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e multa de R$ 293,47.
Principais corredores
Entre os principais corredores de mobilidade estão:
- Hermes Fontes: trecho da avenida Hermes Fontes, entre a avenida Deputado Sílvio Teixeira e a Rua Riachuelo;
- Centro/Jardins: com trechos das ruas Itabaiana e Capela;
- Augusto Franco: trecho da avenida Augusto Franco, entre a avenida Tancredo Neves e a Rua São Cristóvão;
- Beira Mar: trecho da avenida Beira Mar e da avenida Otoniel Dória;
- Perimetral Oeste: trechos da avenida Governador Marcelo Déda e da avenida Canal II.
Os corredores têm como objetivo dar prioridade à circulação do transporte coletivo, reduzindo interferências do tráfego geral e contribuindo para maior regularidade dos deslocamentos.
Um serviço que precisa estar onde o passageiro está
A universalidade do transporte coletivo também significa que o serviço precisa estar disponível para diferentes perfis de passageiros e regiões da cidade. O sistema atende pessoas que utilizam o ônibus por diferentes motivos e em diferentes horários, incluindo passageiros que possuem gratuidade prevista em lei.
Essa característica faz com que a operação não possa ser orientada apenas pela lógica de fluxo de veículos ou pela concentração de atividade comercial. Uma linha precisa cumprir seu itinerário porque existem passageiros esperando por ela ao longo do percurso.
Nesse cenário, a prioridade viária passa a ter relação direta com o funcionamento do serviço. Ao reduzir o impacto do congestionamento sobre os ônibus, as faixas exclusivas podem contribuir para que o coletivo cumpra os horários programados e reduza o tempo que o passageiro permanece no deslocamento.
Para Raíssa Cruz, a discussão deve considerar essa diferença entre o transporte coletivo e o individual. “Quem está no carro consegue decidir se vai sair mais cedo ou mais tarde para evitar um congestionamento. O ônibus não tem essa possibilidade, porque ele precisa cumprir uma linha e atender os passageiros que estão esperando naquele trajeto. Quando existe uma faixa exclusiva, estamos dando ao transporte coletivo uma condição para reduzir o tempo de viagem de quem depende dele”, explica.
A prioridade, portanto, não está relacionada apenas à circulação dos ônibus, mas à possibilidade de oferecer deslocamentos mais previsíveis em uma cidade onde o trânsito pode alterar significativamente o tempo necessário para chegar ao destino.
Michel de Oliveira/PMA







