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28/05/2017 às 10h42

Motorista de ônibus valoriza a profissão, mostra pesquisa

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Em sua maioria esmagadora, são do sexo masculino. Possuem, em média, 43 anos de idade. Seus salários estão na faixa dos R$ 2.154,79, e boa parte deles tem dois ou três dependentes. Em relação à moradia, 60,1% possuem casa própria e quitada. Estamos falando dos condutores de ônibus do transporte público nas cidades, avaliados pela primeira Pesquisa CNT Perfil dos Motoristas de Ônibus Urbanos, divulgada no fim de março deste ano.

O estudo inédito, que traz informações gerais sobre o profissional e a atividade, entrevistou 1.055 motoristas em 12 unidades da Federação de todas as regiões do país, entre 6 e 19 de dezembro de 2016. Os profissionais foram abordados nas garagens e em terminais rodoviários para responder a perguntas sobre temas como dia a dia de trabalho, tecnologias, saúde, segurança e infraestrutura.

A CNT, que realiza periodicamente pesquisas para analisar perfis de profissionais da área de transporte, considera fundamental conhecer melhor a realidade dessas pessoas e dos meios em que atuam. “Para nós, é importante porque permite delinear informações sobre o trabalho do setor e discutir os problemas enfrentados cotidianamente. No caso específico dos motoristas de ônibus, a pesquisa demonstra a importância que esses profissionais têm para o país, pois movimentam grande parte da população, especialmente nos grandes centros”, afirma o diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte, Bruno Batista.

Orgulho de ser motorista

Segundo a pesquisa, 75,5% dos entrevistados disseram estar satisfeitos e não ter vontade de mudar de emprego. A maioria (70%) atuava em outra área antes e garante que a situação financeira ficou melhor após ingressar na carreira de motorista. Sobre as razões pelas quais estão na profissão, 70,6% responderam que gostam de dirigir ônibus urbanos e 33% relataram que o salário é melhor que em outras vagas.

A satisfação se reflete na permanência desses profissionais em seus postos de trabalho: o tempo médio em que os entrevistados estão na área é de 12,1 anos, sendo que 68,7% do total estão há mais de cinco anos, e 24,5% atuam na mesma empresa há mais de 10 anos. “Trata-se de um profissional muito orgulhoso de onde está e do que faz. Os motoristas consideram a profissão financeiramente rentável e apontam a oportunidade de crescimento como ponto positivo. Podemos dizer que esta é uma boa profissão dentro da realidade brasileira”, pondera Batista.

Dentre os fatores que contribuem para a visão favorável à profissão estão as tecnologias disponíveis no dia a dia de trabalho, a estabilidade e o retorno financeiro. A maioria (77,5%) dirige veículos dotados de algum sistema de rastreamento. Os carros são, em sua maioria, ônibus básicos (mínimo de 70 passageiros sentados e em pé, com área especial, peso bruto de 16 toneladas e comprimento total máximo de 14 metros). A média de idade deles é de 5,3 anos.

 

Apesar de revelar um motorista satisfeito com o que faz e quanto ganha, a pesquisa também deixa claro que, para este profissional, ainda há muito o que melhorar. De acordo com o estudo, 57% dos entrevistados consideram a profissão desgastante, estressante ou fisicamente cansativa. Tal opinião tem justificativa: o tempo que passam sentados, em vias cada vez mais cheias e tráfegos carregados, inevitavelmente, torna o expediente mais exaustivo.

Riscos e desgastes

Mas esse não é o único problema. Outros 35,9% acham que ser motorista de ônibus urbano é perigoso, enquanto 19,8% acham arriscado devido à possibilidade de acidentes. Pelos ossos do ofício, o receio se confirma nas estatísticas: 33,2% se envolveram em ao menos um acidente nos últimos dois anos. Quando o assunto é segurança, quase um terço (28,7%) afirma ter sido assaltado ao menos uma vez nos últimos dois anos, enquanto 3,1% relata que os veículos em que estavam já sofreram incêndio criminoso ou tentativa.

A infraestrutura também deixa a desejar. A pavimentação das vias é considerada regular, ruim ou péssima por 77,6% dos entrevistados, e 81,8% reclamam da falta de fluidez no tráfego. Como não poderia deixar de ser, mais segurança policial é a principal reivindicação da categoria, com 61,7%. A necessidade de mais conforto e estrutura nos pontos de apoio ao motorista vem na sequência, com 33,7%, seguida por pedidos de mais vias exclusivas para ônibus (29,4%) e de redução dos custos para tirar a carteira de motorista (24,5%).

Para o diretor executivo da CNT, os resultados mostram que as empresas de transporte têm atendido melhor às expectativas dos motoristas, enquanto os governos decepcionam no cumprimento de seu papel. “Os pontos positivos têm relação com a função e os dados negativos dizem respeito ao poder público. A profissão é desgastante, porque eles têm de conviver com congestionamentos provocados pela falta de prioridade ao transporte público, e perigosa, porque falta segurança nas ruas. É preciso evoluir na prestação dos serviços, para isso se refletir em qualidade, não só para os motoristas, mas no serviço oferecido à sociedade”, avalia Bruno Batista.

 

Matéria publicada na revista NTU Urbano edição março/abril 2017


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