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09/11/2015 às 09h33

Queda de passageiros do transporte público é notória, e pode atingir a economia do setor

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Cerca de 300 mil pessoas por dia deixaram de usar ônibus no ano passado nas nove principais capitais do país, segundo levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). De acordo com dados da entidade, que levaram em consideração números do Nordeste e Sudeste, a queda equivale a 2% dos passageiros transportados no ano anterior (2013). No ano passado foram transportados 382,320 milhões de passageiros por mês, ante 389,999 milhões em 2013 no Brasil. A queda de 2015 foi ainda mais acentuada. Aracaju e região metropolitana, de janeiro a outubro de 2015 apresentou redução de 4,32 milhões de passageiros pagantes, representando queda de 5,96% comparando com mesmo períodos de 2014.

 

Segundo o presidente da associação (NTU), Otávio Cunha, passageiros estão passando a usar meios de transporte particular, como carros e, mais recentemente, bicicletas . Isso, destacou Cunha, é reflexo da política do governo de incentivo ao transporte individual em detrimento do transporte coletivo. Dados da NTU mostram que o número de passageiros transportados em cada ônibus por dia caiu 3,2%, passando de 398 em 2013 para 385 em 2014.

 

A mudança deste quadro depende de investimentos em infraestrutura, do tipo faixas exclusivas e corredores de ônibus, voltadas a priorizar o transporte coletivo, proporcionando viagens mais rápidas e confortáveis aos passageiros.

 

"Cada dia o ônibus fica mais moroso no trânsito, por causa dos congestionamentos. O tempo de viagem é, entre todos os fatores, o de maior preocupação dos passageiros", afirmou o presidente da NTU. Dados da associação mostram que a velocidade média dos ônibus era de 22 km/h, há 15 anos, e hoje, em algumas cidades, fica em torno de 8 km/h. "Já nas faixas exclusivas aumenta a velocidade, reduzindo o tempo de viagem", avaliou.

 

A expectativa do setor é que somente em dez anos, se o governo tirar do papel os projetos de investimento em infraestrutura, é possível melhorar a qualidade do serviço e reverter o cenário de perda de passageiros. "Existe uma expectativa para o futuro de melhora da qualidade de transporte no país. Apesar do indicador negativo de agora , temos experiências exitosas em cidades que investiram em infraestrutura, como os corredores de ônibus e BRTs", disse. O levantamento do setor mostrou ainda que de 2013 para 2014 o valor médio da tarifa caiu 2,5% e a idade média da frota aumentou 4,5% passando de 4,45 anos para 4,65 anos. Isso, segundo a entidade, mostra as dificuldades que o setor tem enfrentado para investir.

 

As experiências tem mostrado que os investimentos aplicados no transporte, de forma adequada a realidade de cada região, tem promovido avanços na qualidade do serviço, em especial na redução do tempo das viagens e dos índices de emissão de gases, com consequente melhoria da qualidade de vida da população.

 

Outra ação do governo que provoca o transporte

 

Com processo licitatório, através do edital e seus anexos, são estabelecidos deveres e direitos do passageiro, órgão gestor e empresas de transporte. Esta formalidade, além de obrigatória, gera segurança jurídica a todos os envolvidos permitindo os investimentos, tão necessários, em infraestrutura, frota,  pessoal, etc.  Com o advindo da Lei 8.987/95, regulamentadora das concessões e permissões de serviços públicos, as licitações tornaram-se necessárias e obrigatórias.

 

"Os empresários do setor de transporte coletivo de passageiros se assustaram um pouco de inicio, com medo de perder o patrimônio que, na maioria dos casos, suas famílias construíram com esforço ao longo de décadas. Mas, de volta à realidade e à luz da legalidade, os processos licitatórios têm acontecido e as obrigações contratuais, mais do que justas e necessárias, estão sendo cumpridas, deixando o setor do transporte quites com a Lei e o Estado", declara Simone Chieppe Moura, presidente do GVBUs e Conselheira da NTU.

 

Os sistemas que saíram na frente e se organizaram de forma adequada as necessidades e capacidade de pagamento de suas regiões estão colhendo resultados positivos.

 

No entanto, "as empresas de ônibus pensaram que seriam protagonistas dessa mais do que necessária função, já que estão na ponta nervosa dessa desorganização.  Mas não é assim que tem se dado. Os contratos contêm índices financeiros e taxas de retorno (TIR) estipulados pelo Poder Público na forma que entendeu-se por ser justo para o setor, e pelo Brasil afora cada lugar tem sua realidade. As empresas que participaram das licitações toparam aquela premissa vital do edital, e assim caminharam, confiando na regra do jogo, estipuladas pelos Governos", continua Chieppe.

 

A conselheira da NTU afirma ainda que "o que se ouve pelo Brasil afora é uma tremenda dificuldade dessa assertiva. Será que com quem constrói hidrelétricas, participa de leilões de aeroportos, rodovias, ferrovias também há essa deliberalidade em relação à Taxa Interna de Retorno (TIR), por exemplo? Não creio. Por que será que para empresários de ônibus, que já há muitos anos passaram a serem grandes geradores de emprego, tamanha desconfiança não cessa? Fica o questionamento, com a ressalva comum a todos que entendem de desenvolvimento urbano: o ônibus ainda é a opção de melhor custo-benefício para a mobilidade nas cidades.”


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